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Sociologia dos países subdesenvolvidos, A

Álvaro Vieira Pinto
432 páginas
ISBN: 9788585910990

R$ 97,00  R$ 58,20

Em 2004, tivemos a auspiciosa notícia de que a mais extensa obra de Álvaro Vieira Pinto (1909-1987) havia sido, finalmente, encontrada. Sabia-se da existência dela, mas se temia que estivesse irremediavelmente perdida. De posse dos originais, na forma de 1.410 laudas datilografadas em máquina de escrever, minuciosamente corrigidas à mão, a Contraponto lançou "O conceito de tecnologia" em março de 2005, em dois grandes volumes. Acreditamos, então, que a obra do filósofo ficara, finalmente, completa.


    O que, para nós, parecia ser um ponto de chegada tornou-se um ponto de partida para José Ernesto de Fáveri, estudioso de Vieira Pinto, a quem dedicou sua tese de doutoramento em 2006. Devemos a um exaustivo esforço de Fáveri, narrado na Apresentação deste volume, a localização de mais um grande inédito – A sociologia dos países subdesenvolvidos –, deixado em forma manuscrita. Os originais em letra miúda exigiram longo trabalho de decifração, realizado com a ajuda de lupas e dicionários por uma equipe reunida por Fáveri.


    Na primeira página, podemos ler: "Comecei a escrever este caderno em 13 de agosto de 1974." Na página final do último caderno, aparece: "Terminada a revisão deste original no dia 13 de fevereiro de 1977." Dois anos e sete meses dedicou, pois, Vieira Pinto ao texto que ora publicamos pela primeira vez, mais de trinta anos depois. Terá ficado completa, agora, a obra do filósofo?


    Álvaro Vieira Pinto foi um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros de todos os tempos. Catedrático da Faculdade de Filosofia da então Universidade do Brasil (hoje UFRJ), com tese defendida na França sobre a cosmologia em Platão, unia rigorosíssima formação clássica à condição de excelente matemático. Ganhou projeção a partir de 1956, quando se juntou ao grupo de fundadores do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), cujo Departamento de Filosofia passou a chefiar. Ali, instalado no centro dos debates do ciclo desenvolvimentista, dedicou-se a compreender os vários modos de pensar o Ser Nacional a partir da periferia do sistema-mundo. Incursionou pela sociologia, a pedagogia, a história, a linguística e a demografia. Foi o mestre de uma geração que teve em Paulo Freire e em Darcy Ribeiro dois expoentes.


    Nação, povo, trabalho, cultura, ciência, técnica, dependência, desenvolvimento, construção de identidades foram temas que permearam a fecunda reflexão de Vieira Pinto, que sempre pensou a partir da condição de filósofo. Daí a singularidade de sua obra, quando observada hoje. Neste livro, mais do que tratar do subdesenvolvimento como fato econômico, ele destaca o que chamava de deformação semântica, ou seja, os processos que interferem na comunicação para ocultar a percepção do real. Daí o curioso subtítulo: "Introdução metodológica ou prática metodicamente desenvolvida da ocultação dos fundamentos sociais do vale de lágrimas".


    Numa época em que os economistas venceram, calando a voz dos filósofos, precisamos reler Vieira Pinto para reaprender a enxergar de forma muito mais profunda a nossa condição atual e o nosso futuro.


                        César Benjamin

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